Dr. Júnior Vasconcelos | Neurologista – CRM 219464 | RQE 124426 | Especialista no diagnóstico e tratamento de dores de cabeça

Você já sentiu uma dor de cabeça tão intensa que parecia impossível seguir com suas tarefas diárias? Se essa dor vem acompanhada de sensibilidade à luz, ao barulho ou náuseas, é possível que você esteja enfrentando uma crise de enxaqueca, uma das condições neurológicas mais comuns — e também mais incapacitantes — do mundo.
A enxaqueca vai muito além de uma simples dor de cabeça. Reconhecê-la e procurar orientação médica pode fazer toda a diferença na sua qualidade de vida.
A enxaqueca é um distúrbio neurológico que costuma seguir um padrão em fases, embora nem todos os pacientes percebam todas elas. Reconhecer essas etapas pode ajudar na identificação precoce e no tratamento mais eficaz da crise:
Pródromo
Algumas horas ou até dias antes da dor, o paciente pode notar sinais como irritabilidade, alterações de humor, bocejos frequentes, desejo por certos alimentos, rigidez na nuca ou dificuldade de concentração. Esses sintomas são reflexo de alterações iniciais no hipotálamo e outras áreas do cérebro.
Aura (presente em cerca de 25% dos pacientes)
Caracteriza-se por sintomas neurológicos temporários, geralmente visuais (como luzes, pontos brilhantes ou linhas em zigue-zague), mas que também podem incluir alterações sensoriais (formigamentos) ou dificuldade na fala. A aura geralmente dura de 5 a 60 minutos e precede a dor.
Fase da dor
É a fase mais conhecida, quando surge a dor de cabeça propriamente dita, com características pulsáteis, de intensidade moderada a forte, geralmente unilateral. Costuma vir acompanhada de náuseas, sensibilidade a luz e ao barulho. A ativação do sistema trigêmino-vascular e a liberação de substâncias inflamatórias no cérebro estão por trás desses sintomas.
Pósdromo
Após a dor, muitos pacientes relatam sensação de cansaço extremo, dificuldade para pensar, sensibilidade residual à luz ou ao som, ou ainda um leve desconforto na região onde a dor predominou. É como se o cérebro precisasse de tempo para se “recuperar” da crise.
Enxaqueca sem aura
É a forma mais comum, representando cerca de 75% dos casos. A dor se instala de forma gradual e não apresenta alterações da visão, de sensibilidade e ou de fala associados.
Enxaqueca com aura
Caracteriza-se pela presença de sintomas neurológicos transitórios que precedem ou acompanham a dor. Os sintomas mais comuns são visuais (como luzes piscando, pontos brilhantes ou linhas em zigue-zague), mas também podem incluir formigamento em um lado do corpo, dificuldade para falar ou sensação de dormência.
Esses sintomas costumam durar de 5 a 60 minutos e são totalmente reversíveis. No entanto, é essencial que esses sinais sejam avaliados por um neurologista, pois outras condições neurológicas, como crises epilépticas, ataques isquêmicos transitórios (princípio de AVC ou derrame) ou distúrbios do processamento visual, podem se manifestar de forma semelhante.
🔺 Além disso, a identificação da aura tem implicações importantes para a saúde da mulher: pacientes com enxaqueca com aura têm um risco aumentado de eventos cerebrovasculares, como o AVC isquêmico, especialmente quando fazem uso de anticoncepcionais hormonais combinados (estrogênio + progesterona). Por isso, em mulheres com esse tipo de enxaqueca, o uso desses contraceptivos deve ser evitado, sendo necessário avaliar alternativas mais seguras.
Embora a enxaqueca tenha origem multifatorial, envolvendo fatores genéticos e alterações na excitabilidade do sistema nervoso central, alguns gatilhos são reconhecidamente associados ao início das crises:
A identificação desses gatilhos é fundamental para a prevenção das crises e pode ser feita por meio de um diário de cefaleia.
É comum que pessoas com enxaqueca convivam com a dor por anos, recorrendo a analgésicos de forma recorrente. No entanto, o uso excessivo desses medicamentos pode piorar o quadro, levando à chamada cefaleia por uso excessivo de medicação.
Procure um especialista se:
Sim. O tratamento da enxaqueca deve ser individualizado e pode incluir:
A enxaqueca é uma condição tratável — e quanto antes for diagnosticada, melhor a resposta ao tratamento. Com o acompanhamento especializado, é possível reduzir a frequência e intensidade das crises, melhorar o desempenho no trabalho, a convivência social e, acima de tudo, a qualidade de vida.
👉 Se você se identificou com os sintomas descritos, agende uma consulta com um neurologista. A dor não precisa fazer parte da sua rotina.
Dr. Júnior Vasconcelos
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